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Depois de alguns meses trabalhando com o Hélio, ficou claro um padrão: as tarefas mais complexas — aquelas que envolviam várias etapas, várias referências, mudanças em mais de um processo — saíam bem quando tinham um documento de problema e objetivo antes de começar. E saíam mal quando não tinham.

Na engenharia de software, isso tem nome: Spec-Driven Design. Eu adapto para o contexto do trabalho cotidiano com IA e chamo de Estrutura Conduzida por Especificação.

O que é uma spec

Uma especificação é um arquivo Markdown curto que responde a duas perguntas antes do trabalho começar:

Qual é o problema? — o que está errado, falta, ou precisa mudar. Qual é o objetivo? — como o trabalho termina, o que ele entrega.

Não é documentação técnica. Não é um plano detalhado. É uma âncora que orienta o Claude — e você — antes de qualquer conversa de execução.

Quando uma spec vale a pena

O critério não é o tipo de trabalho. É a maturidade do ambiente.

Uma spec sem processos documentados vira escrita solta sem ancoragem. Você escreve o problema e o objetivo, pede ao Claude para executar, e ele não tem referência concreta sobre os processos que a spec afeta. O resultado é genérico.

Se você ainda não tem pelo menos um processo documentado no ambiente, volte ao artigo anterior sobre documentar o primeiro processo. A spec assume que esse contexto já existe.

Com o ambiente organizado, vale spec para qualquer trabalho que envolva:

Onde a spec mora

Cada spec vive dentro da pasta da tarefa que ela afeta, em uma subpasta specs/:

📁 Financeiro/CLAUDE.md📁 specs/2026-08-04-fechamento-mensal.md

O nome do arquivo segue o padrão AAAA-MM-DD-nome-slug.md. A data no início facilita ordenar pelo histórico.

O frontmatter mínimo

Três campos no topo do arquivo — isso é tudo que você precisa para começar:

---
title: Fechamento mensal automatizado
status: rascunho
created: 2026-08-04
---

title descreve o que a spec resolve. status começa como rascunho e vai avançando conforme o trabalho progride. created registra quando foi aberta. Outros campos entram se o uso pedir — não antes.

O ciclo iterativo

Você não escreve a spec do zero e envia para execução. Ela é construída em par com o Claude, em cinco etapas:

1. Você escreve uma frase sobre o que quer resolver.

2. O Claude responde com 10 a 20 perguntas sobre o problema e o objetivo.

3. Você responde diretamente no arquivo da spec.

4. O Claude integra as respostas no corpo do documento.

5. Você revisa com <nota> nos pontos que precisam de ajuste. Repete até fechar.

O Hélio e eu usamos exatamente essa lógica quando montamos a spec para o controle de runway — Alfredo descreveu o problema em uma frase, o Claude devolveu perguntas, o Hélio respondeu, e fomos ajustando até o documento refletir o que ele realmente precisava.

Referenciando outros processos

Quando a spec afeta um processo que existe em outra pasta, a referência vai no texto, com o caminho em backticks:

Essa spec altera o processo em `./Financeiro/CLAUDE.md`.
O ajuste é na etapa de geração do painel — ela precisa
considerar IOF na fatura internacional.

Sem XML tag especial, sem link Markdown. Caminho em backtick é suficiente para o Claude entender que precisa ler aquele arquivo como referência.

O que a spec não é

Spec não é documentação do que foi feito — é planejamento do que vai ser feito. Depois da execução, as decisões tomadas voltam para o CLAUDE.md do processo afetado, não para a spec.

A spec é descartável depois de executada. O que fica é o processo atualizado.


Estou ministrando mentorias para profissionais de diversas áreas que estão começando nessa ideia. Se não quer percorrer esse caminho sozinho, é só me chamar.