Com a pasta raiz criada e o CLAUDE.md inicial no lugar, você tem um ambiente. Agora o ambiente precisa de conteúdo — e o primeiro passo concreto é documentar uma tarefa que você já faz, de um jeito que o Claude consiga executar.
O Hélio começou com o fechamento financeiro mensal. Não porque era a tarefa mais importante da empresa, mas porque tinha um início claro: todo dia 1 do mês. Esse é o critério.
O critério da primeira tarefa
Qualquer tarefa serve, desde que você consiga responder a uma pergunta: isso começa quando o quê acontece?
Pode ser um evento recorrente no tempo — todo início de mês, toda segunda de manhã. Pode ser disparado por algo externo — quando um cliente solicita proposta, quando chega uma nota fiscal para pagar. O que não funciona como ponto de partida é uma tarefa sem começo identificável. “Melhorar a comunicação da empresa” não tem um gatilho — é uma direção, não uma atividade.
Com o gatilho em mãos, a estrutura do processo já tem sua primeira peça.
A pasta da tarefa
Cada processo documentado vive em uma pasta própria, direto na raiz do ambiente. Sem agrupadores acima — sem processos/ nem atividades/ entre a raiz e a pasta da tarefa.
O nome da pasta segue a convenção de substantivo capitalizado: Financeiro/, Comercial/, Marketing/, Onboarding/. É a mesma lógica das pastas do sistema operacional — familiar desde o primeiro dia para qualquer pessoa que abrir o ambiente.
recursos-super-humanos/
CLAUDE.md
Financeiro/
Comercial/
Dentro da pasta da tarefa, um arquivo CLAUDE.md. Esse arquivo descreve o processo de uma forma que o Claude consegue ler e executar.
O esqueleto do processo
O arquivo começa com uma XML tag que dá nome ao processo e o envolve. Dentro dela, quatro seções:
<processo nome="financeiro-mensal">
<gatilho>
Todo dia 1 do mês, fechar dados do mês anterior.
</gatilho>
<etapas>
A descobrir durante a execução.
Serão registradas aqui ao final.
</etapas>
<objetivo>
Painel financeiro atualizado e arquivado.
</objetivo>
<aprendizado>
Capturado das notas integradas a cada execução.
</aprendizado>
</processo>
O <gatilho> é o início que você identificou. O <objetivo> é o que o processo deve entregar quando termina. As <etapas> ficam como placeholder no primeiro momento — você não precisa saber todos os passos antes de começar. O Claude vai preencher à medida que executa. O <aprendizado> também começa vazio; é onde as melhorias capturadas em cada execução vão se acumulando.
Na prática, quando Alfredo pediu para o Hélio definir o início e o final do processo, ele usou exatamente essas palavras — “início” e “final”. No arquivo, elas viram <gatilho> e <objetivo>. A tradução é só de vocabulário; a ideia é a mesma.
Executando o processo
Com o CLAUDE.md da tarefa no lugar, o prompt de execução é direto:
Leia o `./Financeiro/CLAUDE.md` e execute o processo.
Substitua ./Financeiro/ pela pasta da sua tarefa. O Claude lê o arquivo, identifica o processo pelo nome, e começa a executar a partir das informações que encontra.
No início as <etapas> estão vazias — o Claude vai pedindo informações e construindo o caminho junto com você. Quando a execução terminar, as etapas ficam documentadas. Da próxima vez, ele já sabe o caminho.
Essa é a ideia central: você documenta o início e o final. O Claude descobre o meio na primeira execução, registra, e fica mais rápido nas seguintes.
Por onde começar
Escolha uma tarefa que acontece com frequência. Crie a pasta com substantivo capitalizado, direto na raiz. Escreva um CLAUDE.md com o esqueleto acima — só o gatilho e o objetivo por agora. As etapas e o aprendizado vêm com o uso.
Isso é diferente de tentar documentar tudo de uma vez. Você não para a empresa para organizar o ambiente. Começa por uma atividade, observa o que acontece, e vai expandindo conforme o trabalho pede.
Estou ministrando mentorias para profissionais de diversas áreas que estão começando nessa ideia. Se não quer percorrer esse caminho sozinho, é só me chamar.