O painel financeiro do Hélio estava funcionando bem. Receitas, despesas, runway — tudo ali, atualizado toda semana. Aí veio a pergunta: “Ficou legal. Mas posso exigir mais? Será que podemos ter a marca do Recursos Super-Humanos? As cores?”
É uma pergunta que todo aluno faz depois que o artefato funciona. E a resposta é sim — sem precisar de designer, sem precisar de Figma.
A pasta de identidade
A pasta se chama identidade-da-marca/ e fica direto na raiz do ambiente, no mesmo nível das outras pastas de tarefa.
recursos-super-humanos/
CLAUDE.md
Financeiro/
identidade-da-marca/
referencias/
Dentro dela, uma subpasta referencias/. É onde você coloca tudo que já tem sobre a marca — logo em qualquer formato, paleta de cores que usa no Canva, um documento de briefing, exemplos de peças antigas. Qualquer coisa que represente visualmente a empresa.
Não precisa estar organizado. Não precisa ser material profissional. O Claude consegue trabalhar com o que você tiver.
O que fazer com as referências
Com os arquivos em referencias/, você roda um prompt no Claude Code, dentro do ambiente:
Claude, na pasta `referencias/` existe uma série de arquivos
relacionados à identidade da marca. Preciso que leia e crie
um `CLAUDE.md` com instruções de como usar a identidade da
marca. Faça uma documentação dos design tokens que encontrou
nesses arquivos e documente isso. Em seguida, vamos avaliar
o artefato de Painel Financeiro para ter certeza que ele
segue as diretrizes levantadas no primeiro processo.
O resultado são dois movimentos: o Claude cria a documentação de como usar a marca, e valida se o artefato existente já segue essas diretrizes. Onde não segue, ele atualiza.
O que sai desse processo é o que o Claude decidir gerar a partir do que encontrar nas referências. Pode ser um CLAUDE.md com os tokens de cor, um arquivo com as fontes, exemplos de como aplicar. O formato fica a critério do Claude — você avalia o resultado e pede ajuste se precisar.
O gatilho automático
Para que a marca seja usada sem que você precise lembrar de pedir, coloque uma linha no CLAUDE.md da raiz do ambiente:
Antes de gerar qualquer artefato visual, leia
`./identidade-da-marca/CLAUDE.md`.
A partir disso, toda vez que o Claude for criar algo visual — um painel, uma apresentação, qualquer artefato — ele vai ler a documentação de marca antes de começar. Você não precisa mencionar a marca no prompt. Ela está no contexto por padrão.
Essa é a mesma lógica do primeiro artigo sobre o ambiente: o contexto fica no lugar, não no prompt.
O ritual de fechamento
Toda conversa que produz algo visual termina com uma pergunta: “Alguma decisão nova de marca para registrar?”
Você instrui o Claude a fazer essa pergunta automaticamente no identidade-da-marca/CLAUDE.md ou no CLAUDE.md raiz. A resposta pode ser nada — e tudo bem. Mas quando você decide algo sobre cor, tipografia ou estilo durante o trabalho, essa pergunta captura a decisão antes que ela se perca.
Com o tempo, a pasta de identidade cresce com decisões reais de uso — não só com referências iniciais. A marca vai sendo documentada conforme ela aparece no trabalho.
Para quem não tem marca formalizada
Muitas empresas pequenas operam com identidade informal — um logo feito no Canva, as cores do cartão de visita, um estilo de comunicação que existe na cabeça do dono. Tudo isso serve.
Coloque o que tiver em referencias/. Print do logo, screenshot do Instagram, documento com a paleta. O Claude documenta o que encontrar. A marca não precisa estar perfeita para começar — ela vai evoluindo pelo uso.
Estou ministrando mentorias para profissionais de diversas áreas que estão começando nessa ideia. Se não quer percorrer esse caminho sozinho, é só me chamar.